Crédito: Divulgação FUP
Na manhã desta quarta-feira, 2/4, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) se reuniu com representantes da Petrobrás para discutir a atual política de teletrabalho da empresa. O encontro marcou um ponto de abertura nas negociações, com a companhia decidindo prorrogar o prazo para a implementação das mudanças inicialmente previstas para o dia 7 de abril. Agora, o novo prazo será 30 de maio, o que representa um espaço adicional para continuidade das tratativas.
Cibele Vieira, diretora da FUP, destacou: “Iniciamos a reunião esclarecendo que a greve abordou vários pontos que consideramos essenciais e que devem ser tratados de forma simultânea. Acreditamos que a mesa de hoje, sobre teletrabalho, é um passo positivo e esperamos que o calendário de reuniões para os demais temas seja definido em breve”. As principais reivindicações dos trabalhadores, além do teletrabalho, são a oposição à redução da remuneração variável, a recomposição do quadro de pessoal e maior segurança no Sistema Petrobrás. Além disso, pedem um plano de cargos e salários justo, o fim dos equacionamentos da Petros e melhorias nas condições de segurança na fábrica de fertilizantes do Paraná (Fafen PR).
A decisão da Petrobrás em adiar as modificações no sentido da ampliação dos dias de trabalho presencial, está diretamente relacionada à pressão exercida pela greve de advertência realizada pela categoria no último dia 26. “A greve cumpriu seu papel ao evidenciar a necessidade de diálogo e flexibilização das propostas por parte da empresa”, disse o diretor da FUP, Paulo Neves. Ele reforçou a importância da mobilização, destacando que a Petrobrás está com uma postura mais aberta para negociação. “Embora a prorrogação do prazo seja um passo positivo, nosso entendimento é que o mais adequado seria esperar a conclusão das negociações, já que ainda há pontos fundamentais em aberto”, diz Neves.
Entre os temas discutidos, destacam-se questões que afetam diretamente a rotina dos trabalhadores, como as condições de teletrabalho para pais e mães de filhos na primeira infância, empregados residentes em localidades distantes dos locais de trabalho e aqueles transferidos compulsoriamente no governo anterior. A FUP também expressou grande preocupação com a medida que impõe um período de 18 meses de trabalho 100% presencial para novos empregados, incluindo pessoas com deficiência (PCD). Para a FUP, esta medida é excessivamente rígida e não considera as particularidades individuais de cada trabalhador, como a distância do local de trabalho e a situação familiar.
Outro ponto criticado foi a obrigatoriedade de trabalho presencial às segundas ou sextas-feiras, uma exigência que prejudica especialmente os trabalhadores transferidos ou que moram em outros municípios. A FUP propôs à Petrobrás aumentar a flexibilidade dessa norma, sugerindo que o número de dias permitidos de flexibilidade fosse ampliado de 6 para 10 dias ao ano para esses trabalhadores.
A Federação também levantou preocupações sobre a política de teletrabalho para trabalhadores administrativos em áreas industriais, considerando as especificidades dessa função, que deve ser levada em conta nas novas diretrizes. Além disso, a mudança no meio do semestre escolar foi citada como um fator prejudicial para os trabalhadores que dependem do teletrabalho para conciliar suas responsabilidades profissionais e educacionais.
Falta de justificativas para a mudança
Em relação à postura da Petrobrás de mudança repentina na política de teletrabalho, a FUP demonstrou perplexidade, pois a companhia não apresentou dados concretos que comprovem qualquer queda na produtividade dos empregados. A Federação questionou a necessidade dessa alteração, uma vez que os índices de produtividade permanecem estáveis.
Preocupações com a Transpetro
Outro ponto crítico levantado foi o aumento da rigidez nas políticas de teletrabalho na Transpetro, que tem adotado critérios mais restritivos em relação a quem pode ou não trabalhar remotamente. A FUP continuará vigilante em relação a essas mudanças e buscará garantir que as condições de trabalho, tanto na Petrobrás quanto em suas subsidiárias, sejam justas e flexíveis.
A FUP continuará sua luta para garantir condições mais equitativas para os trabalhadores da Petrobrás e suas subsidiárias.