O reajuste dos óleos básicos (Grupo I- Mineral), informado mensalmente pela Petrobrás é a referência para ajustes de preços dos produtos acabados no mercado nacional? Mito ou Verdade
- A mudança da matéria prima utilizada pela indústria de lubrificantes nos últimos anos
Há 20 anos, no Brasil, basicamente 100% dos lubrificantes utilizados nos motores veiculares possuíam natureza mineral e, via de consequência, eram formulados a partir de óleos básicos Grupo I – cujos principais produtores nacionais são a Petrobrás e as indústrias de rerrefino.
Desse período para o presente, em virtude da tendência mundial de modernização dos veículos, revelou-se necessário que as indústrias produtoras de lubrificantes buscassem inovações tecnológicas para seus produtos. Via de consequência, houve e ainda há uma migração dos óleos básicos Grupo I para óleos básicos semissintéticos (Grupo I, II e III) e sintéticos (Grupo III e PAO).
Considerando que, em nosso país, a vida útil da frota de veículos é aproximadamente 10 (dez) anos, é possível constatar que boa parte da frota já utiliza lubrificantes de maior tecnologia (com matéria prima semissintética e sintética), diminuindo, portanto, a incidência do óleo básico mineral. Para os veículos novos, tal tendência é inegável.
É o que se observa na figura abaixo:
Não podemos nos esquecer dos demais componentes:
- Mao de obra qualificada e análises laboratoriais – tudo com controle de qualidade
- Coleta de embalagens e coleta de OLUC.
- Custo do frete (Diesel + pedágios e seguros)
- Embalagens e rótulos 5- Demais despesas: seguros e taxas ambientais – manutenção – energia elétrica etc.
- Como tal mudança afeta a busca pela matéria prima e as atividades das indústrias.
Tal circunstância faz com que as indústrias de lubrificantes, basicamente em sua totalidade, tenham que buscar o mercado externo para suprir sua demanda de óleos básicos semissintéticos e sintéticos. A mesma necessidade de importação do mercado externo é visualizada, por exemplo, com relação aos aditivos utilizados na composição dos lubrificantes.
Vê-se, portanto, seguindo tal lógica, que hoje a atividade de produção de lubrificantes está submetida, em grande parte, às práticas do mercado internacional e não mais ao que costuma ser aplicado no mercado nacional e especificamente para os óleos básicos minerais de Grupo I.
Vem se observando, dentro desse contexto, uma crescente necessidade de adequações por parte das indústrias, seja no tocante às burocracias inerentes à atuação no mercado internacional (licenças, despachantes etc.), seja no tocante ao complexo planejamento exigido para a logística e organização da matéria prima importada (considerando, por exemplo, o prazo de chegada da matéria prima no Brasil, seu armazenamento e também o transporte).
Isso tudo, aliado às frequentes mudanças dos demais fatores que influenciam na produção (fretes rodoviários, mão de obra qualificada, embalagens plásticas e metálicas, rótulos, logística reversa dos resíduos, dentre outros), exigem um elevadíssimo nível de atenção e organização por parte das indústrias de lubrificantes.
Finalizando, foi criado no decorrer dos anos este MITO, no qual a VERDADE é que os óleos lubrificantes acabados para ajustes devem ser levados todas as suas variáveis de customização e não somente os óleos básicos de Grupo I fornecidos em parte pela Petrobrás, pois a maior participação dos produtos é com formulações com as matérias primas de Grupo II, III e também os aditivos, que são totalmente ajustados e impactados pelo mercado internacional.