Uma nova e promissora descoberta de petróleo e gás pela British Petroleum (BP) na Bacia de Santos está sendo saudada como um marco para a indústria de energia no Brasil. O reservatório, localizado no pré-sal, pode se tornar um dos maiores do país, reafirmando o Brasil como um dos principais protagonistas no mercado global de petróleo.

A descoberta, batizada de Bumerangue, é a maior feita pela BP nos últimos 25 anos. Embora não seja a maior do Brasil, esse é um achado significativo, comparável em escala a campos gigantes já em produção, como Bacalhau, Sapinhoá e o Complexo Iara. O engenheiro de petróleo e analista do setor, Ricardo Viana, destaca que a descoberta é uma prova de que o pré-sal brasileiro “não está caminhando para a ‘terceira idade’ ainda”, e sim “é jovem e com bastante potencial”. Viana estima que um projeto dessa escala pode gerar uma receita adicional de aproximadamente US$ 2 bilhões por ano para o país, considerando a produção de 100 mil barris por dia a um preço de US$ 65 o barril. Essa receita não só impulsiona a economia como também se traduz em mais arrecadação para o governo via royalties e participação no óleo-lucro. Além disso, a descoberta é um sinal positivo do sucesso dos leilões do pré-sal, que atraíram empresas internacionais para o país. “A indústria funciona em uma linha de tempo de prazos longos e vamos entrar na fase de coletar frutos da decisão de leiloar os ativos”, explica o especialista.
Apesar do otimismo, a exploração em águas tão profundas, a mais de 2.300 metros, apresenta desafios. O analista ressalta que, embora o Brasil tenha desenvolvido tecnologias de ponta para operar nessas condições, a indústria pode enfrentar uma “inflação de custos” devido ao aumento da demanda por mão de obra e serviços especializados. Outro ponto de complexidade, segundo Viana, é a presença de CO2 na mistura de gases do reservatório, um problema comum no pré-sal que afeta a comercialização do gás. Além disso, a BP, que detém 100% do ativo, terá que ponderar o alto investimento necessário para o desenvolvimento do projeto, que pode demandar “dezenas de bilhões de dólares”. “Com as incertezas com relação ao petróleo de longo prazo, que sofre com desaceleração de demanda prevista por conta do crescimento de veículos elétricos e energias verdes, vale a pena tomar todo esse risco de investimento sozinha?”, questiona Viana, apontando para o dilema de alocação de capital que as empresas de energia enfrentam.
Para que Bumerangue se torne comercialmente viável, os próximos passos da BP incluem a delimitação do reservatório e testes de poços para avaliar seu potencial. Enquanto isso, a descoberta reforça a posição do Brasil como um dos líderes na produção global de petróleo. Viana acredita que, com Bumerangue e outros campos promissores, como Aram e as áreas da Margem Equatorial, o Brasil tem potencial para “manter seu ritmo de crescimento que vivenciamos na segunda metade desta década”.
Crédito Imagem: André Ribeiro/Agência Petrobras